Vila Nova da Barquinha, 10.05.2009
Curioso como os eventos se sucedem. Hoje é o nosso 5o dia de caminhada, dos quais apenas 2 podem ser descritos como bem-sucedidos (dentro da nossa proposta – afinal chegamos sempre vivos ao final do dia). De Vilafranca de Xira a Azambuja e a Santarém conseguimos cumprir nossa meta. De Lisboa a Alverca e a Golegã ficamos pelo caminho. As etapas são puxadas demais.
Ontem, depois de uma longuíssima caminhada de Vale do Figueira a Azinhaga, não conseguimos passar de Pombalinho, 3km antes de Azinhaga, que nem sequer constava do guia! Uma imensa trovoada aizinhava-se, a Katia havia caído na trilha e meu estava azul (!) – não tive dúvida, chamamos um táxi e fomos para Golegã, que era a meta. Com uma certa insistência, conseguimos um quarto, com cozinha, no parque de campismo. Tinhámos um teto, mas o tempo era péssimo.
Estávamos muito cansados – começar um caminho tão forte não é recomendável – e concordamos que no dia seguinte não andaríamos tanto, para ter tempo de recuperar forças.
De manhã, o tempo não estava bom, mas o suficiente para caminhar. Dormimos um pouco mais, já que planejávamos caminhar apenas 10 km. Numca caminhada tranquila, com apenas alguns cães correndo atrás de nós, chegamos na entrada de Vila Nova da Barquinha, umas 3h h depois de partir.
Aí começam os eventos.
Minha intenção era para em alum bar por ali, descansar os pés e continuar para o Residencial ali em Vila Nova, ou continuar mais 3km para um residencial em Atalaia, dependendo do preço. Então, num cruzamento do caminho com a rodovia, na entrada da vila, aparece um senhor carregando gravetos. Perguntei a ele se havia algum bar por perto. Havia um à esquerda, a 500m, e outro à direita, a 1km. Agradeci e seguimos para o mais perto. Estava fechado. Liguei para o Residencial que ficava nesta localidade, e o quarto saia por 40€. Resolvemos ficar. Voltamos por onde viemos, e neste caminho encontramos um grupo de peregrinos a Fátima, com seus coletes fluorescentes. Depois pensei que deveria ter tirado uma foto deles. Mais à frente, antes do residencial, que ficava à esquerda, vi umas senhoras peregrinas e pedi pra tirar uma foto. Disseram que logo ao lado estava o grupo todo. Fui atrás. Um escoteiro no portão indicou o galpão nos fundos. Lá estava um enorme grupo de peregrinos recebendo lavapés. Ofereceram-nos água e café, bolachas. De repente, apareceu um bombeiro – ali era o quartel.
Apresentei-me, disse que caminhávamos para Santiago. O simpático bombeiro, Alexandre Amorim, então nos ofereceu acolhida ali. Nem esperava, pois a primeira vez que paramos em bombeiros, disseram que essa possibilidade era lenda, e nem aceitavam mulheres. Enfim, aceitamos, tomamos um belo banho quente e depois fomos conhecer a cidade, digo, vila, de Vila Nova da Barquinha, que fica à beira do Tejo. A única coisa aberta era uma bar na beira do rio. E cá estamos tomando umas cervejas.
Enfim, tudo isso para descrever a cadeia de eventos que nos levaram cá.
Não fosse o senhor com gravetos, não teríamos ido ao bar fechado, depois não teríamos encontrado os peregrinos a Fátima que me fizeram pensar em uma foto, e não teria perguntado às senhoras se poderia fazê-lo, que não teriam me indicado o galpão dos bombeiros, onde não teria conversado com o bombeiro que acabaria por oferecer acolhimento. Na falta de qualquer um destes fatos, e não estaríamos aqui bebericando, observando calmamente o tempo abrir, à beira do Tejo. Muito curioso
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